Montagem / Redação POP

Um texto bem pessoal para tentar explicar por que a nova novela das sete não me atraiu tanto assim.

Para começo de conversa, “Além do Horizonte” não tem cara de ser uma novela que eu assistiria normalmente. Claro, trabalho com isso e precisei assistir, e o primeiro capítulo até que me pareceu interessante. Diferente do comum. Quando saiu a média de audiência em São Paulo, 24 pontos, não achei muito estranho. Afinal, era uma novela bem atípica para o horário, daquelas que precisam conquistar o público com o tempo.

Porém, uma novela desse tipo tem um revés bem grande: ela não pode errar nunca, pelo menos não no começo, porque senão perde o público que se mantém na expectativa de uma melhora. E no caso de “Além do Horizonte”, senti um desânimo nos capítulos seguintes. A novela é bem feita, a cidade cenográfica simulando uma cidade de palafitas é incrível e o elenco está afiado… mas falta algo sabe? Sinto que não é muito novela.

Claro que essa conversa vai cair naquele papo da falta de inovação das novelas, que ultimamente andavam meio pasteurizadas, mas eu não sinto uma “aura” de folhetim em “Além do Horizonte”. A impressão que tenho é a de ver um seriado, porém diário. E esse tipo de ritmo pode desgastar tanto os autores quanto o público.

“Pecado Mortal” da Record é uma novela excelente e com ritmo alucinado de seriado, e esse mesmo ritmo acaba sendo prejudicial à trama. Se você pescar por 2 minutos, já não vai entender a complicada trama envolvendo bicheiros e polícia. “Avenida Brasil”, por outro lado, soube usar o ritmo a seu favor: as primeiras semanas se pareciam com seriados, com histórias que se fechavam no mesmo dia, e depois emendou um estilo mais de novela como conhecemos. O começo diferente serviu apenas para apresentar os personagens e “chamar” um público que abandonou as novelas.

Certo, então qual a saída para “Além do Horizonte”? Bem, pessoalmente não sou ninguém para falar o que deve ser feito ou o que não deve ser feito, e também não tenho como sair prevendo se será um sucesso ou não (até aí achei “Amor à Vida” ótima em sua primeira semana). Apenas “Além do Horizonte” apresenta uma inovação que pode ser interessante se bem contada, mas a forma apresentada até agora não foi muito atraente. Talvez seja interessante mexer um pouco nisso.