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Nos últimos tempos, o que mais tem aparecido em “Amor à Vida” (logo depois dos erros e incoerências) é propaganda de livro. Casualmente o personagem pega um exemplar de um livro e diz o nome do autor e do livro, em uma propaganda bem descarada mesmo. E a iniciativa parte do autor mesmo, provavelmente na intenção de dar dicas de leitura para as pessoas que assistem a novela.

Foi noticiado pela coluna da Patrícia Kogut que um dos próximos livros será o de Vincent Villari, co-autor da novela “Sangue Bom”, sendo lido pelo doutor Michel. Em outra cena já comentada nesse blog, Bruno repreende sua filha por não querer ler um livro de Gabriel Chalita para a escola.

A minha dúvida é o quanto essas propagandas funcionam para o propósito do autor. O Brasil é um dos países com a população que menos lê, então não deixa de ser estranho ver tanta gente na novela lendo livros e recomendando os mesmos para os outros. E não consigo ver uma pessoa que se interesse pelo livro só porque determinado personagem lê (no meu caso, por odiar muitos personagens é capaz de pegar raiva do livro ao invés de me incentivar). Por fim, os livros não acrescentam em nada nas cenas.

A aparição dos livros nos faz lembrar de outra investida parecida, porém bem sucedida: “Avenida Brasil”. Na novela de João Emanuel Carneiro, Tufão sempre lia antes de dormir, e comentava com alguém sobre a história. O livro tinha uma função na novela, que era de se referir a algum assunto rolando na trama. Por exemplo, durante toda a fase sobre a traição de Carminha, o ex-jogador de futebol lia despretensiosamente um exemplar de “Dom Casmurro”, livro de Machado de Assis famoso pelo debate sobre a traição duvidosa de uma personagem.