05 de dezembro de 2012

O histórico final de “A Feia Mais Bela”

Por: Coisas de Novela

A adaptação mexicana do fenômeno colombiano “Betty, a Feia”, assim como o seu original, foi um sucesso inesperado. Protagonizada por Angélica Vale e Jaime Camil, “A Feia Mais Bela” entrou para a história ao exibir seu último capítulo num domingo com três horas de duração.

Quando a produtora Rosy Ocampo pediu à Televisa que comprasse os direitos de “Betty” para um remake, a emissora não achou que seria uma boa ideia, visto que a história da secretária feia já era conhecida mundialmente. Insistindo que a trama poderia ser modificada para atrair o público infantil, o canal aprovou o folhetim para o horário das 4 horas da tarde, o que menos dava audiência.

Angélica Vale fez de sua Letty uma personagem mais caricata que a original, a comédia realista de Fernando Gaitán se converteu num pastelão rasgado e colorido. Dois meses depois da estreia no México, o SBT começou a exibir a novela. No início a achei péssima, pois fugia totalmente do tom dramático da colombiana.

Entretanto, após o relato de uma amiga da faculdade, a qual por causa de um grave acidente de carro perdera parte dos movimentos, acabei mudando de ideia. Apesar da tragédia e do momento difícil que atravessava, esta minha amiga morria de rir quando assistia às atrapalhadas de Letty, sentia-se feliz ao fim de cada capítulo. Foi então que entendi que aquela era uma novela despretensiosa, seu objetivo era apenas divertir e passar uma mensagem otimista.

“A Feia Mais Bela” foi o folhetim mais popular do México e dos Estados Unidos em sua época. A ascensão social através do estudo e a possibilidade do sucesso afetivo, mesmo diante das limitações físicas, eram os temas que chamavam a atenção da população latina.

Devido aos ótimos números de audiência, a Televisa mudou o horário da atração quatro vezes. Primeiro para às 6 da tarde, depois às 7, às 8, até chegar no horário mais nobre de todos, o das 9 da noite. O Ibope continuou ascendente, chegando a médias superiores a 35 pontos, índices que não se via há sete anos. No Brasil, o SBT também mudou o horário da trama diversas vezes, sete ao total, o que acabou prejudicando o desempenho da feia por aqui, mesmo assim, a novela que começou com médias de 11 pontos, conseguiu obter uma média geral de 8, índice satisfatório.

O sucesso estrondoso no México fez com que o canal a esticasse ao máximo. A escritora Palmira Olguín reclamou do cansaço e pediu para que Rosy Ocampo contratasse mais escritores. Carlos Romero, da trilogia das “Marias” e da “Usurpadora” foi chamado, porém não aceitou participar. Rosy então testou outros escritores, como a autora de “Rubí”, mas não gostou do resultado, até que depois de muitos testes, o roteirista Alejandro Pohlenz de “Amigas e Rivais” se fixou no cargo.

O último capítulo de “A Feia Mais Bela” foi exibido, excepcionalmente, num domingo e contou com três horas de duração, o maior capítulo da história das novelas, começando às 4 da tarde e competindo com o Oscar 2007.  Mesmo o México tendo 16 indicações ao prêmio de cinema naquele ano, algo inédito, “A Feia” conseguiu 43 pontos de audiência contra apenas 9 do Oscar, exibido pela TV Azteca.

O cantor Ricardo Montaner apareceu no casamento de Letty e Fernando interpretando a música “Bésame”, a mesma que havia cantado num capítulo de “Betty, a Feia”. Diferente dos finais em que os protagonistas se beijam na porta da igreja, todo o elenco apareceu desfilando nas ruas da cidade de Monterrey, acompanhados por cerca de quinhentas mil pessoas. Os protagonistas então chegavam até um palco ao ar livre e cantavam juntos, no show de encerramento também se apresentaram as bandas: Camila, Kalimba, Reik, entre outras.

Um final de novela histórico, do jeito que ainda não se viu no Brasil.