23 de novembro de 2012

A ilustre “Presença de Anita”

Crítica e curiosidades sobre a minissérie.

Por: Coisas de Novela

Sedução, traição, desespero, tragédia… Uma família destruída e a responsável por tudo isso está de volta no Canal Viva. Você não vai resistir à “Presença de Anita”.

Foi praticamente esse o texto da primeira chamada que a Rede Globo levou ao ar em 2001 para anunciar a minissérie de Manoel Carlos, com direção geral de Ricardo Waddigton. Dividida em 16 capítulos, a história da ninfeta que seduzia um homem casado elevou o Ibope do horário alcançando uma média geral de 30 pontos, tornando-se assim a minissérie de maior audiência da década.

O sucesso imediato da obra foi creditado ao seu apelo erótico, porém é injusto dizer que as cenas sensuais foram gratuitas. Numa trama tão densa e trágica quanto “Presença de Anita” seria incoerente a falta de tensão sexual e psicológica.  Para dar o tom de autodestruição, as personagens fumavam o tempo todo. E para convencer o espectador do alto poder de sedução de Anita, a atriz vivia de calcinha, exibindo um corpo que não era cheio de curvas, mas que possuía uma beleza natural bastante sugestiva.

A atriz em questão era Mel Lisboa, uma completa desconhecida pelo público. Manoel Carlos e Ricardo buscavam um rosto novo para viver a personagem título, porém nenhuma das 100 candidatas ao cargo parecia agradar. Com exceção da protagonista, todo o elenco já havia sido fechado e por isso a minissérie foi apelidada nos bastidores como “Ausência de Anita”. Reza a lenda que Maneco assim que viu o teste de Mel bateu o martelo. Era exatamente ela que faltava.

Numa época em que o acesso à internet era restrito, Mel Lisboa se converteu na musa dos marmanjos. Muitos ficavam acordados só para conferir os atributos físicos da lolita e também para… Deixa pra lá. Mas não foi só pela beleza que Mel caiu nas graças do público, a estreante tinha talento suficiente para conseguir ser amada e odiada ao mesmo tempo. Uma personagem ambígua que ela soube defender com nuances que alguns atores veteranos não têm.

Outro estreante que também chamou a atenção foi Leonardo Miggiorin interpretando o ingênuo Zezinho. Responsável por uma das cenas mais antológicas da TV, Leonardo deu um show de interpretação ao correr pela cidade para não ser linchado pela população que o acusava injustamente de ter matado Anita.

Ricardo Waddigton, que recentemente esteve envolvido com “Avenida Brasil”, mostrou ter bossa para o noir. O suspense psicológico em “Presença de Anita” foi digno de Darren Aronofsky, diretor de filmes como “Réquien para um Sonho” e “Cisne Negro”. Já o texto de Manoel Carlos fugiu do lugar comum e surpreendeu pelo seu realismo trágico.

A chamada de estreia estava certa: você não vai resistir à ilustre “Presença de Anita”, ainda mais com o clamor musical de Maysa Matarazzo: Ne me quitte pas (não me deixe).